Entrevista de Arthur Awad, CEO Sant Saúde, para o Jornal do Comércio
Liderança não é discurso. É decisão diária e postura consistente. Abaixo, elenco cinco tópicos que me ajudam a gerir melhor meu time.
1. As pessoas derivam da estratégia:
quando falamos de estratégia corporativa, inúmeros são os desafios enfrentados por líderes e gestores.
No entanto, um fator comum a qualquer estratégia envolve a definição de quais são as cadeiras que levarão ou não a atingir os objetivos estipulados.
Por isso, lembre: não existe estratégia forte com pessoas erradas nas cadeiras erradas. Quem executa, define o resultado. Antes de cobrar performance, revise o time, as funções e os incentivos estão realmente alinhados.
2. Liderar pelo exemplo não é opcional:
a régua da cultura é o comportamento da liderança.
O que você faz pesa mais do que qualquer apresentação, valor na parede ou discurso inspirador. O time replica o padrão que não quebra.
3. Foco total na liderança:
liderança não acontece na cultura, ou no cartão silenciosamente.
Não existe neutralidade. Onde o líder é omisso, a cultura se deteriora.
Onde o líder é presente, claro e consistente, a cultura escala e entrega resultado. Jamais valorize a entrega técnica acima da cultura.
Caso você gerencie um time de lideranças, desça um nível, não como apenas da boca dos seus liderados diretos. Dedique tempos em tempos, e bom, garantir que o que você vê esteja nos seus filtros formais.
4. Delegar não é “delargar”:
quando não há tempo, o time vive sobrecarregado, normalmente o problema não é falta de gestão.
Liderar também é sobre remover bloqueios, entender os desafios reais e garantir, junto ao time, que os objetivos sejam concluídos.
É comum ver gestor cobrando sem entender o contexto da entrega.
Nem sempre o líder terá o domínio técnico, mas precisa escutar ativa e capacidade de formar um bom ponto de vista nas negociações. Se você tem pessoas certas no time, confie nelas.
Em geral, você sabe quem tem condição real de entrega e quem não tem.
Ainda assim, entregue sem acompanhamento não gera resultado de forma consistente.
Delegar é transferir responsabilidade e acompanhar execução.
5. Pessoas não se dividem em “pessoal” e “profissional”:
gestão começa pelo entendimento básico de que, do outro lado, existe um ser humano.
Não existe um botão que permita desligar o mundo pessoal ao entrar no trabalho — e o tempo profissional ao sair dele.
Problemas atravessam esses limites, gostemos ou não. Isso não significa misturar as coisas ou ultrapassar limites.
O gestor precisa saber até onde ir, mas é fundamental que exista vínculo suficiente para que nada vire surpresa. Liderar sem conhecer minimamente quem está do outro lado é abrir mão de previsibilidade.
O papel do líder é mentor.
Não para assumir responsabilidade dos problemas, mas para orientar, desenvolver e ajudar o liderado.
O objetivo é maximizar o resultado do liderado, garantindo que ele esteja na função certa, com expectativas claras e motivação alinhada ao que se espera dele.
Em resumo:
liderança não é cargo, é comportamento repetido todos os dias.